quinta-feira, 31 de março de 2011

JORNAL O TEMPO

Licitação ronda expositores
Prefeitura de BH se cala sobre o assunto, mas não nega informação

Publicado no Jornal OTEMPO em 31/03/2011
RAFAEL ROCHA

Expositores das 22 feiras permanentes da capital podem passar pelo mesmo processo de licitação enfrentado pelos artesãos da avenida Afonso Pena. A Prefeitura de Belo Horizonte pretende publicar editais para todos os demais espaços utilizados pelos feirantes, em várias regiões da cidade.
A informação é do vereador Wagner Messias (DEM), o Preto, presidente da comissão parlamentar criada para analisar o assunto. Ele tem acompanhado as reuniões entre a Secretaria de Governo e os feirantes da Afonso Pena. O presidente da Federação Mineira dos Expositores, Apolo Costa, informou que, no último encontro, representantes da prefeitura garantiram que o processo de licitação da Feira Hippie será ampliado aos demais eventos do tipo.
No decreto nº 14.245, de 30 de dezembro, a prefeitura já havia alterado o uso dos espaços para feiras permanentes. Antes, bastava o expositor conseguir uma licença. A partir da decisão, passou-se a exigir uma permissão, documento que requer licitação.
O vereador Preto não soube dizer, no entanto, se critérios socioeconômicos, exigidos aos concorrentes a uma vaga na feira da Afonso Pena, serão observados também nos editais de licitação das demais feiras.
Ontem, a prefeitura se calou sobre o assunto, mas também não negou a versão. A assessoria de imprensa informou que "desconhece a informação".
O possível lançamento de novos editais vem à tona um dia após o Tribunal de Justiça de Minas Gerais ter determinado a suspensão da licitação da feira da Afonso Pena. Para os desembargadores da 1ª Câmara Cível, o processo viola princípios legais, como isonomia, proporcionalidade e razoabilidade.
O candidato com menos renda e escolaridade seria beneficiado com maior pontuação, excluindo a maioria dos atuais feirantes do processo. A Procuradoria Geral do Município deve recorrer da decisão da Justiça.
Segundo a prefeitura, a alteração de licença para permissão ocorreu em função da necessidade de licitar o uso do espaço público, o que decorre de norma constitucional e da Lei Federal de Licitações.
O que mais incomodou os feirantes foi o sistema de pontos criados pela prefeitura. "Buscamos o cancelamento total do edital, mas o clima atual é de apreensão, medo e insegurança, já que essa liminar pode cair a qualquer momento", disse Marco Melo, que atua na feira há 28 anos.
Nos próximos dias, vereadores irão se reunir com a Secretaria de Governo para avaliar relatório sobre o edital.
Regulamento
Edital é cheio de incoerências
Além dos critérios socioeconômicos, outro ponto contestado pelos feirantes são incoerências no novo edital da feira da Afonso Pena.
Segundo o regulamento proposto pela prefeitura, o feirante não pode ter mais que dois funcionários, porém, terá que apresentar o cotidiano de compras.
O processo privilegia o expositor com menor faturamento e maior gasto. No quesito técnico, o feirante que aplicar política de qualidade tem vantagem sobre os demais, mas, caso tenha casa própria, perde pontos. Por fim, o edital visa beneficiar o candidato analfabeto, mas exige conhecimento em legislação ambiental.
"É uma série de incoerências, critérios excludentes entre si. O candidato que é aprovado pelo critério técnico acaba reprovado pelo socioeconômico, e vice-versa", avaliou o presidente da Federação Mineira dos Expositores, Apolo Costa.
Segundo ele, os feirantes até aceitam a licitação, mas apenas para as vagas em aberto na feira. Atualmente, estima-se que, das 2.310 barracas, 800 estejam sem expositores. "Há casos de gente que morreu e a família não quis continuar com a barraca, outros desistiram mesmo", disse Apolo.
Os vereadores da capital querem que seja feita uma varredura em todas as licenças atuais, para exclusão de feirantes que vendem produtos de atravessadores e industrializados. "Também queremos saber o motivo de uns 500 expositores não terem entrado na feira por meio de convite". (RRo)
Entenda
Janeiro de 2011Prefeitura publica o edital do processo seletivo para a inscrição de expositores na Feira Hippie – foram recebidas 10.782 inscrições.O edital prevê critérios técnicos e socioeconômicos para a seleção, o que é contestado pela classe.Parlamentares montam uma comissão para avaliar os pontos polêmicosFevereiro de 2011Expositores pedem o cancelamento do edital, mas Justiça indefere a ação

Março de 2011
A classe consegue suspender o edital com uma liminar do Tribunal de Justiça

SITE CÂMARA MUNICIPAL DE BELO HORIZONTE

30/03/2011
Vereadores comentam decisão judicial que suspendeu edital de licitação
 
 

quarta-feira, 30 de março de 2011

JORNAL O TEMPO

Licitação da Feira Hippie é suspensa pela Justiça
Prefeitura ainda pode recorrer, mas não se posicionou sobre o assunto
Jornal OTEMPO em 30/03/2011
RAFAEL ROCHA
Insatisfação. Expositores criticaram a prefeitura por fixar critérios econômicos no processo de licitação
No cabo de guerra disputado entre expositores e prefeitura, em relação ao edital de licitação da Feira de Artesanato da Afonso Pena, os comerciantes obtiveram ontem a primeira vitória. Por decisão unânime, desembargadores da 1ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) determinaram a suspensão do processo de seleção de novos artesãos.

Segundo parecer dos desembargadores, o edital em curso "viola os princípios da isonomia, da proporcionalidade e da razoabilidade". A prefeitura, no entanto, informou que irá avaliar a decisão do TJMG para posterior pronunciamento.

A decisão é de segunda instância, pois os expositores já haviam perdido a causa em 4 de fevereiro, na 3ª Vara de Feitos da Fazenda Pública Municipal. O recurso, impetrado pela Associação dos Expositores de Arte e Artesanato da Avenida Afonso Pena (Asseap), deu-se por meio de mandado de segurança, com pedido liminar.

O mérito do mandado de segurança, porém, ainda será julgado pelo TJMG, segundo informou a assessoria de imprensa do Fórum Lafayette.

O parecer foi comemorado pelos feirantes, que, desde publicação de novo edital para a feira, no fim do ano passado, deram início a uma série de protestos para que o prefeito Marcio Lacerda repensasse a medida.
Além de passeatas e greve de fome, os expositores contaram ainda com a pressão de parlamentares junto ao Executivo. "Foi um coroamento jurídico das nossas reivindicações", disse o coordenador da Asseap, Alan Vinícius.

A ordem do prefeito de que fosse alterada a autorização de funcionamento da feira - de licença para permissão - causou animosidade entre os feirantes. Com a medida, foi necessária a abertura de licitação para a feira. O edital foi publicado no Diário Oficial do Município (DOM) no dia 31 de dezembro. "Foi tudo feito na calada da noite e sem nos consultar. Um desrespeito com quem está na feira há mais de 40 anos", reclamou Alan.

Além disso, o edital de seleção da feira previa avaliação de critérios socioeconômicos, também motivo de contestação dos expositores. "Não pode colocar como prioridade a situação econômica, isso é um absurdo. A feira cresceu e ganhou notoriedade graças a quem está lá atualmente, e não por abrigar, ou não, expositores com baixo poder aquisitivo", avaliou a vereadora Maria Lúcia Scarpelli.
A prefeitura chegou a manifestar, na semana passada, que poderia realizar mudanças no edital.

Entenda

- Em dezembro passado, a prefeitura publicou edital de licitação, contra a vontade dos expositores
- Uma comissão foi criada na Câmara para avaliar os pontos polêmicos do edital
- O sistema de pontuação criado para a seleção foi o ponto mais questionado
- O candidato analfabeto, por exemplo, ganha oito pontos, contra um ponto para aquele com nível superior
- Até o dia 14 de fevereiro, foram recebidas 10.782 inscrições, para 2.292 vagas na feira

JORNAL HOJE EM DIA

Liminar suspende edital da Feira da Afonso Pena

Decisão parcial da Justiça foi comemorada pela Associação dos Expositores da Avenida Afonso Pena

Danilo Emerich - Repórter - 29/03/2011 - 20:27


Os atuais expositores querem discutir com a PBH mudanças e incentivos para a feira

Liminar concedida na tarde desta terça-feira (29) suspendeu o polêmico edital da Feira de Artes e Artesanato da Avenida Afonso Pena. A sentença foi proferida pelo desembargador Eduardo Andrade, da 1ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, que entendeu que se o processo licitatório prosseguisse poderia gerar prejuízos aos expositores. A assessoria de Imprensa da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) informou que a Procuradoria Geral do Município irá avaliar a decisão da Justiça para se pronunciar.

A liminar será publicada no Diário Oficial do Município (DOM) e volta para a 3ª Vara da Fazenda do TJMG, onde ainda será julgado o mérito do recurso, sem data definida para ocorrer. De acordo com o processo, a Associação dos Expositores da Feira de Artes e Artesanato da Afonso Pena (Asseap) alegou que os atuais expositores estariam impedidos de continuar a exercer suas atividades devido às normas do edital que, segundo ela, contém irregularidades.

Na sentença, o desembargador Eduardo Andrade disse que os princípios da legalidade, impessoalidade e razoabilidade foram contrariados. “O critério socioeconômico que discrimina alguns e privilegia outros não pode ser tolerado pelo Direito. Cabe ao Poder Judiciário garantir a obediência a esses princípios, sem discriminações ou privilégios a quem quer que seja, afinal todos devem merecer o mesmo tratamento por parte da Administração Pública”, sustentou.

O edital, publicado em dezembro de 2010, selecionaria novos ocupantes das 2.292 barracas da feira a partir do grau de escolaridade e de critérios socioeconômicos. O processo foi alvo de diversas manifestações contrárias por parte dos expositores da feira. A Câmara Municipal chegou a apontar 18 irregularidades no edital.

O presidente Asseap, Alan Vinícius, comemorou a decisão da Justiça. Ele disse que todos os profissionais que trabalham no espaço estão aliviados. “Todos estavam sofrendo e temerosos de perder o emprego. Provamos que tínhamos razão quanto as irregularidades. A prefeitura queria acabar com o evento e a Justiça reconheceu isso. Provamos, sem deixar nenhuma duvida, que a feira é maior que todos. É um patrimônio na cidade”, declarou.

Alan afirmou que não espera que a PBH recorra da decisão. O presidente da Asseap ressalta que espera que o Governo abra diálogo com os expositores. “Não há espaço para mudanças de maneira unilateral, mas há para conversas. Temos propostas, como qualificação dos expositores, banheiros mais adequados e mais divulgação”, disse.

SITE FEIRA HIPPIE


O EDITAL ESTÁ CANCELADO
28/03/2011 - Enviado por Carlos Soares


"E nem se diga que o Município de Belo Horizonte se valeu de seu poder discricionário, primeiro que tal não se dá aqui e ainda que fosse assim, o poder discricionário também tem limites e não pode afrontar princípios universalmente consagrados."
Desembargador Eduardo Andrade

"A discricionariedade pode muito mas não pode tudo." Repeti esta frase algumas vezes ao longo destes quase três meses de luta. Se o administrador autoritário encontrou "colo e palavras amenas" no juízo de primeira instância, foi, agora, recolocado em seu devido lugar pela sábia decisão dos desembargadores Eduardo Andrade, Geraldo Augusto e Vanessa Verdolim. Aqui, prevaleceu a Justiça; alhures, o acordo espúrio.

terça-feira, 29 de março de 2011

ASSEAP GANHA PROCESSO NA JUSTIÇA CONTRA A PREFEITURA DE BELO HORIZONTE:

O EDITAL ESTÁ CANCELADO!

POR TRÊS VOTOS A ZERO OS DESEMBARGADORES DA 2ª INSTÂNCIA DA JUSTIÇA, DEFINIRAM PELO CANCELAMENTO DO EDITAL DE LICITAÇÃO DA PBH.
O PROCESSO FOI IMPETRADO PELA ASSEAP, QUE ALCANÇOU POR EXCELÊNCIA A DEFESA DE TODOS OS ATUAIS EXPOSITORES DA FEIRA DE ARTES E ARTESANATO DA AVENIDA AFONSO PENA.
AGRADECEMOS A TODOS OS DESEMBARGADORES DA 2ª INSTÂNCIA, OS VEREADORES, DEPUTADOS E MEMBROS DO EXECUTIVO QUE APOIARAM A NOSSA CAUSA.
DESTACAMOS A UNIDADE E A FORÇA DA MOBILIZAÇÃO DE TODOS OS EXPOSITORES QUE ATUARAM PELAS MAIS DIVERSIFICADAS FORMAS CONTRA O FAMIGERADO EDITAL.

Processo – 2ª INSTÂNCIA
Numeração única: 0067775-15.2011.8.13.0000

AGUARDEM MAIS DETALHES...

INFORMAÇÕES:  ALAN (31)9648-9974

JORNAL ESTADO DE MINAS

Justiça suspende edital da Feira de Artesanato da Afonso Pena

Cristiane Silva
Publicação: 29/03/2011 16:34 Atualização:


A 1ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais deferiu nesta terça-feira o pedido de concessão de liminar para determinar a suspensão do processo de seleção de candidatos à uma vaga na Feira de Artesanato da Afonso Pena, no Centro de Belo Horizonte.

A Associação dos Expositores de Arte e Artesanato da Afonso Pena (Asseap) alegou que os atuais expositores estariam impedidos de continuar a exercer suas atividades devido às normas do edital, que, segundo ela, contém inúmeras irregularidades. Ainda de acordo com a associação, a prefeitura de Belo Horizonte pretende passar a administração da feira ao Instituto Centro de Capacitação e Apoio ao Empreendedor (Centro CAPE), em detrimento da Comissão Partidária prevista pelo Código de Posturas que fala em licenciamento e não em permissão/autorização.

Para o relator do agravo de instrumento, desembargador Eduardo Andrade, os princípios da legalidade, impessoalidade e razoabilidade foram contrariados. "O critério socioeconômico que discrimina alguns e privilegia outros não pode ser tolerado pelo Direito. Cabe ao Poder Judiciário garantir a obediência a esses princípios, sem discriminações ou privilégios a quem quer que seja, afinal todos devem merecer o mesmo tratamento por parte da Administração Pública", sustentou o desembargador.

(Com informações do Tribunal de Justiça de Minas Gerais - TJMG)